Oportunidades nas minas: como a oferta e a procura fazem florescer este sector

As acções mineiras prosperam. Os metais básicos terminaram o ano de 2010 numa forte posição
As acções mineiras prosperam. Os metais básicos terminaram o ano de 2010 numa forte posição, aparentemente eliminando quaisquer preocupações que rodeassem a recuperação económica mundial ainda com fraco desenvolvimento, ao passo que os metais preciosos beneficiaram dessas mesmas preocupações. Julgamos que uma exposição ao sector continua a ser uma das mais interessantes oportunidades de investimento em 2011 e no futuro.

O exemplo reluzente do ouro
Apesar da severa crise de confiança na área do euro, com as implicações negativas para o crescimento, os preços dos metais básicos terminaram 2010 com um aumento de 23%. No entanto, o ouro suplantou os metais básicos num ambiente favorável de baixas taxas de juro, com o preço do ouro a fechar o ano com um aumento de 30%.

Os máximos foram ultrapassados quando o preço do ouro alcançou novos picos (embora não em termos reais), a casa da moeda dos EUA ficou temporariamente sem a mais popular moeda em metal precioso, a Águia Americana e as importações de ouro da China aumentaram 500% dado que os investidores de retalho compraram jóias e moedas como cobertura para a inflação.
O forte desempenho do ouro é bastante relevante quando consideramos o que 2011 nos reserva para os metais básicos, dado que a subida no preço do ouro tem levado historicamente a um aumento nos preços dos metais básicos passados 6 a 18 meses, tornando o metal precioso um indicador fundamental para os metais básicos e outros preços de mercadorias.

A questão está em saber se o ouro continuará forte. Julgamos que os governos e os bancos centrais continuarão atrás da curva na subida das taxas de juro, dado que não prevemos que os decisores políticos arrisquem endurecer a política monetária demasiado cedo arriscando-se a matar o fraco ritmo da retoma. Deste modo, julgamos que o ambiente de taxas de juro será relativamente acomodativo para que a relação histórica entre ouro e metais básicos funcione. Além disso, ao compor o quadro fundamental para o sector mineiro, o nosso entusiasmo com estas mercadorias fortalece-se.

Fundamentais de suporte
Apesar de que a procura de metais básicos ter recuperado fortemente nos últimos dois anos, a oferta continua consideravelmente restringida. Dado que se espera que a forte procura da China prossiga e há poucas esperanças de que a oferta a consiga cobrir, esperamos que os preços de alguns metais básicos e mercadorias irá continuar a ter suporte durante o resto do ano de 2011 e seguintes.

Nos últimos 20 anos, o apetite insaciável da China por mercadorias implicou que a sua quota na procura total subisse de menos de 5% para cerca de 40% actualmente. Parece ter emergido um padrão nos últimos anos em que os investidores perdem temporariamente a confiança na sustentabilidade do crescimento económico da China, o que aconteceu praticamente todos os anos dos últimos dez anos. No entanto, há poucas dúvidas de que a pressão sobre a procura que a China impõe irá continuar neste ano mesmo que o crescimento económico abrande para um nível modesto.

Os investimentos chineses em imobilizado, o impulsionador do crescimento do PIB mais relevante para a procura de metais básicos, deverá continuar forte se considerarmos que a despesa em infra-estrutura e fabrico continuam saudáveis. Por exemplo, o governo chinês anunciou um aumento de 50% no seu orçamento para desenvolver o sistema da Rede Eléctrica Nacional no seu plano a 12 anos, sendo o cobre e o alumínio os principais beneficiários. Entretanto, a urbanização implica que 350 milhões de pessoas deverão passar das zonas rurais para áreas urbanas em cidades do segundo ou terceiro escalão nos próximos cinco anos. Em média, uma nova casa urbana utiliza 40 quilos de cobre para equipamentos tais como ar condicionado, frigoríficos, televisões e fogões.

Sem qualquer sinal de forte desaceleração na procura, esperamos que a oferta continue a lutar para tentar acompanhar o ritmo, mas devemos também ter em consideração as ameaças à oferta nos metais básicos e nas mercadorias a granel.

As questões da oferta continuam a afectar o sector mineiro
Seria um erro considerar o forte desempenho dos últimos dois anos no sector mineiro como um simples caso de procura. Os preços dos metais básicos não atingiram os níveis anteriores à crise de 2008 quando os mineiros não conseguiam cobrir a procura, mas estavam, pelo menos, a tentar dar resposta. A crise financeira serviu para interromper um investimento bastante necessário no sector. Embora a subida dos preços das mercadorias tenha encorajado a prosseguir a despesa de investimento, as questões da oferta estão longe de estar resolvidas, tendo piorado algumas restrições na oferta.

Por exemplo, devido à forte recuperação dos últimos dois anos, o sector está a voltar a ver algumas das questões de estrangulamento que ocorreram em 2006. Estas incluem as faltas de mão-de-obra e de competências, as questões de licenciamento e o aumento dos tempos de entrega para grandes equipamentos, tais como carregadores, camiões e equipamento de processamento.

No entanto, os estrangulamentos apenas são uma questão quando os mineiros tenham identificado o jazigo de minério. Estes continuam a ser uma restrição fundamental, dado que encontrar jazigos de minério com elevada qualidade se está a tornar cada vez mais um desafio.
A qualidade global do jazigo de minério está a descer em termos agregados, ameaçando não só a oferta adicional que é bastante necessária para satisfazer a forte procura da China e Índia, mas também para agravar o problema de a oferta não ser substituída (das principais minas já existentes com grandes jazigos de minério que estão a esgotar-se)

Oportunidades continuadas para investidores
Embora haja preocupações sobre o sucesso chinês e sobre a contenção da inflação, julgamos que o governo chinês irá ter êxito em manter o crescimento económico no bom caminho. É verdade que a resolução sobre as questões de dívida da área do euro continua a demorar, mas julgamos que os bancos centrais irão estar atrás da curva no aumento das taxas de juro dado que não pretendem perturbar a frágil retoma económica nos mercados desenvolvidos.

Deste modo, é evidente que há um ambiente favorável para que as acções mineiras possam florescer. As restrições da oferta combinadas com uma procura implacável apoiam o modelo estrutural de longo prazo para o sector mineiro.

A oportunidade para os investidores consiste no mercado subvalorizar as restrições da oferta e, deste modo, a potencial sustentabilidade de fortes preços das mercadorias.

Fonte:
22 Março2011 | 08:50
Miguel Luzárraga
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=474591

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